Aerossóis: A Última Fronteira?

Comentário convidado de Juliane Fry, UC Berkeley

O Quarto Relatório de Avaliação do IPCC 2007 Sumário para Políticos recentemente divulgado, nos lembra que os aerossóis permanecem o menos compreendido componente do sistema climático. Aerossóis são partículas sólidas ou líquidas suspensas na atmosfera, consistindo de (em ordem aproximada de abundância): sal marinho, poeira mineral, sais inorgânicos como o sulfato de amônia (que vem de fontes naturais e antropogênicas, como a queima de carvão), e aerossóis carbonatados como a fuligem, emissões de plantas, e combustíveis fósseis incompletamente queimados. Como deve ser aparente desta lista, há muitas fontes de aerossóis, mas mudanças foram observadas, em particular na carga atmosférica de aerossóis carbonatados e sulfatos, que se originam em parte da queima de combustíveis fósseis. Apesar de serem uma parte relativamente pequena da massa total de aerossóis, mudanças na contribuição antropogênica dos aerossóis desde 1750 resultaram numa forçante radiativa média de aproximadamente -1.2 W/m2, relativa a uma forçante global devido ao CO2 de +1.66 W/m2.

Figura SPM-2, mostrada aqui, compara a forçante radiativa para gases de efeito estufa e outros agentes, junto com uma avaliação do nível de entendimento científico (cuja sigla em inglês é LOSU), para cada componente. Nesta figura, está claro que os aerossóis contribuem com a maior forçante negativa (resfriamento), e que seu nível de entendimento varia de “baixo” a “meio baixo”. Os efeitos dos aerossóis se dividem em duas categorias: (1) efeitos diretos, relativos ao espalhamento ou à absorção da radiação pelos aerossóis, influenciando a quantidade líquida de energia que chega à superfície da Terra, e (2) efeitos indiretos, como o albedo das nuvens, referindo-se a como a presença dos aerossóis aumenta a refletividade de nuvens ao proporcionar um número maior de núcleos para a formação de gotas, reduzindo a quantidade de energia que chega a superfície. Isto já representa um passo a frente com relação ao último relatório, , onde o LOSU para os aerossóis variava de muito baixo a baixo, e nenhum valor mais provável era assinalado para a parte “indireta”.

Esta figura virtualmente sugere por que melhorar nossa compreensão sobre o papel dos aerossóis no clima é tão importante: enquanto a forçante radiativa líquida global é positiva (aquecimento), aerossóis representam as forçantes negativas (resfriamento) dominante. Consequentemente, os aerossóis atualmente em nossa atmosfera estão atuando de forma a mascarar parte do aquecimento induzido pelos gases de efeito estufa (GEE). Isto significa que ao agirmos para reduzir o uso de combustíveis fósseis para melhorar a qualidade do ar e atacar o aquecimento global, devemos ter em mente como estas mudanças nas emissões vão impactar a concentração e a composição dos aerossóis.

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