Reportagem sobre o Clima na Physics World

PhysicsWorld cover, Volume 20, no. 2, February 2007 A edição de fevereiro de 2007 da PhysicsWorld contém vários artigos relevantes em ciências do clima, com um artigo principal em modelagem climática escrito por Adam Scaife, Chris Folland e John Mitchell, um texto de Richard Lindzen, bem como um artigo sobre geoengenharia na seção ‘News & Analyses’. A revista também contém um artigo (Vivendo na Estufa, ‘Living in the greenhouse’) na seção ‘Lateral Thoughts’ que traz consigo um apanhado de possíveis analogias para um amplo leque de tópicos completamente não relacionados ao efeito estufa num sentido técnico, e um comentário editorial ‘Tópico Quente‘, argumentando que seria um erro da PhysicsWorld ignorar outros estudos que não seguem a linha consensual. Para ser mais preciso, o comentário editorial devota algumas linhas justificando o texto de Lindzen e a notícia sobre geoengenharia, com uma referência à citação de Feynman: “Não existe dano em dúvida e ceticismo, pois é através desses que novas descobertas são feitas”. Sábias palavras! No entanto, Eu não posso resistir de fazer algumas reflexões.

Um pensamento que imediatamente surgiu foi: A PhysicsWorld tentou fazer ‘notícia equilibrada‘, ou a questão sobre dúvida e ceticismo por elas próprias merecem o texto? Serão o ceticismo ou a dúvida realmente genuínos (a dúvida seria o produto)? Para ser justo, o artigo traz objeções contra alguns argumentos de Lindzen (citando Gavin). Todavia, gostaria de ver um artigo mais consistente e crítico, umavez que os argumentos de Lindzen – ao menos do modo como eles foram ecoardos na PhysicsWorld – são em minha opinião inconsistentes.

Aqui está um exemplo: tome a controvertida citação de Lindzen de que a boa concordância entre a evolução das temperaturas modeladas e históricas é um exercício de “ajuste de curva”. Escrita nas entrelinhas há a premissa de que os modelos climáticos são dirigidos por forçantes baseadas nas emissões históricas de gases de efeito estufa (GEE). Mais adiante no artigo, Lindzen argumenta que os modelos climáticos usados pelo IPCC são muito sensíveis às mudanças de concentração atmosférica de CO2. Para mim, estas duas declarações dizem coisas opostas – e estão, assim, violando uma a outra. Isso porque ou os modelos fornecem uma boa descrição da evolução histórica ou não, dadas as passadas emissões de GEE e de aerosóis e as forçantes naturais (certamente, Lindzen deveria saber dessas simulações).

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