‘Cosmoclimatologia’ – argumentos velhos e ultrapassados em nova roupagem

Image from cosmosNuma recente edição da Astronomy and Geophysics (A&G), Henrik Svensmark cunhou um novo termo: ‘cosmoclimatologia’. Eu acho que ‘cosmoclimatologia’ é um nome bom e renovador para qualquer coisa que combine nosso cosmos com nosso clima. Contudo, achei muito desapontador todos os outros aspectos do artigo. Já cobrimos a maioria desses tópicos antes, mas o artigo da A&G nos dá alguns novos aspectos para discutir. Além do mais, Svensmark é o diretor do Centro de Pesquisa sobre o Sol-Clima, do Centro Nacional Espacial Holandês, e portanto é muito influente. Ele é também co-autor de um livro recente com Nigel Calder que recebeu alguma atenção. Ainda mais, um experimento de laboratório seu também ganhou notoriedade. Parece que a forçante solar é uma dasúltimas trincheiras dos céticos no debate sobre mudanças climáticas. Na minha visão, o trabalho da A&G merece então comentários, dado que os mesmos velhos e ultrapassados argumentos resurgem sem se discutir os temores dos críticos.

Existem algumas questões que tornam o trabalho da A&G realmente pobre ao meu ver. Uma delas é a omissão de responder as velhas críticas da hipótese de que raios cósmicos galáticos (sigla em inglês GCR) mudam nosso clima modulando as nuvens. (veja aqui, aqui e aqui). Svensmark é muito vago sobre a falta de tendência nos GCR ou em outras variáveis solares desde 1952. Eu o questionei sobre isso numa conferência da Sociedade Européia de Geofísica (sigla em inglês EGS) em Nice há alguns anos atrás, e publiquei também um trabalho sobre esse ponto. O artigo da A&G seleciona as referências, sem no entanto responder as sérias críticas enchaminhadas por Damon & Laut (2004), Laut (2003) e eu

mesmo. Para ser honesto, o trabalho crítico de Kristjansson e Kristiansen (2000) é citado, embora somente para dizer que a própria conclusão de Svensmark seja “um achado contra-intuitivo para alguns críticos“. O tratamento restante dos aspectos críticos no artigo da A&G é sem maiores qualificações, a não ser a seguinte passagem (minha ênfase):

A principal objeção para a idéia de que raios cósmicos têm influência na cobertura de nuvens veio de meteorologistas os quais insistiram que não haveria mecanismo capaz de produzir isso. Por outro lado, alguns físicos atmosféricos concluiram que a observação e a teoria falharam em considerar satisfatoriamente a origem das partículas de aerossóis sem as quais a água não condensa para formar nuvens.

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